terça-feira, 24 de novembro de 2015

Frente Parlamente da Cultura foi criada e já apresenta conquistas

Foto: Emilio Moscatelli

O presidente da Câmara, Luiz Claudio da Silva (Cláudio Enfermeiro), assinou no último dia 17 a portaria que cria em São Manuel a Frente Parlamentar da Cultura.

Proposta pelo Mobiliza São Manuel a Frente pretende articular os diversos setores da sociedade em torno de ações que desenvolvam as artes e valorize a cultura em nosso município.

Em sua primeira reunião os vereadores que aderiram à frente, Letícia Castaldi, Tiago Ragozo e Laércio Aparecido Tavares (Buca), juntamente com o Cláudio Enfermeiro, apresentaram ao Mobiliza seu primeiro compromisso, colocar em votação ainda este ano a alteração da lei que destina 1% da arrecadação do IPTU para o Fundo Municipal de Cultura (lei de autoria do executivo), no sentido de aumentar o valor da alíquota para 1,5% em 2016 e 2% em 2017.

Estima-se que isso represente um acréscimo de aproximadamente 100 mil reais para investimentos na área até 2017, que, somando-se aos 135 mil do 1% já aprovado, serão cerca de 235 mil somente no período.

O valor é pequeno, frente a necessidade de termos uma política cultural que chegue efetivamente a todos cidadãos e cidadãs de São Manuel, mas significativo se tomarmos por base o histórico de investimentos em programas de ação cultural.

A reunião aconteceu na Câmara Municipal, na manhã de sexta-feira (20/11) e contou também com a participação de Eduardo Odassi Baroni, representante do Mobiliza e Maria Isabel Meira Leite, assessora jurídica da casa, que prestou esclarecimentos ao grupo em relação às questões técnicas do orçamento que está prestes a ser votado.

Além da boa notícia da lei do IPTU, o grupo definiu suas primeiras ações em conjunto.

Ficou claro para todos que a frente deverá atuar em duas pontas: nas questões de competência interna, ou seja, nas que dizem respeito às leis da cidade, ao orçamento e à articulação entre os setores afins, mas também nas questões de competência externa, as que precisam do apoio de outros entes da federação, como os deputados, deputadas, governos estadual e federal.

Dentre as primeiras ações definidas destacaram-se as reuniões que o grupo pretende fazer com a Diretoria de Educação e de Cultura, propondo para estes a realização de um “Encontro Anual de Cultura e Educação”, e a reunião com os deputados (a começar pelos que já atuam na cidade - Milton Monti, Capez, Fernando Cury e Madalena), propondo para estes que parte de suas emendas parlamentares sejam destinadas para a recuperação de nossos equipamentos culturais, como o teatro, museu, biblioteca, estação, aquisição de instrumentos musicais, entre outras coisas.

Uma informação importante sobre a reunião com os deputados é que a definição exata do que será pedido para eles virá da elaboração de um Plano de Ações que a Frente pretende articular entre as Diretorias de Cultura, de Turismo, de Gestão e Obras, o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, o Conselho Municipal de Cultura e a equipe que coordena a revisão do Plano Diretor Municipal. O que lhes garantirá legitimidade e os embasará com critérios técnicos-administrativos realistas.

Um ponto que ficou ainda sem consenso entre o Mobiliza e os vereadores, foi sobre a necessidade de aumentarmos o Orçamento da Diretoria de Cultura.

O coletivo insiste que podemos chegar até 2017 ao montante de pelo menos 2% do total do Orçamento Municipal (hoje está previsto em aproximadamente 1,25% para 2016), um valor que seria o mínimo necessário para uma política cultural que traga resultados eficazes, como por exemplo, geração de renda e emprego, redução da criminalidade e melhoria educacional.

O fato de nossas novas gerações estarem cada vez mais apartadas de nossas tradições, o fato de nossos prédios históricos estarem sendo corroídos pelo tempo (inclusive os públicos!) ou o fato de a Fundação Casa, situada na cidade de Botucatu, comprovadamente receber cada vez mais jovens de nossa cidade, são fatos sintomáticos que escancaram a urgência de olharmos para as possibilidades da cultura.

O Mobiliza aponta que se remanejarmos apenas 1,75% dos 26 milhões de reais que o executivo tem previsto como dotação para 2016 (do montante que tem liberdade para usar, da verba não “carimbada” - Educação, Saúde e Pessoal), conseguiremos atingir 1,6% do Orçamento Municipal em 2016 (R$ 1,970 milhões). Se a determinação de nossos governantes mantiver-se nessa direção, com mais um movimento dessa ordem em 2017, chegaremos facilmente aos 2%.

Um pedido mais do que razoável (vamos repetir, apenas 1,75% da dotação não carimbada), um pedido justo e necessário, com potencial para colocar São Manuel no “hall” das cidades inovadoras.

Os integrantes da Frente ficaram de conversar mais a esse respeito, no entanto, o Mobiliza reforça desde já que conta com a força dos vereadores que a integram para assumirem essa bandeira com o coletivo.